20.9.08

2 de todos, até o fim (Caldo)

Não devia ter ficado pensando tanto nela, ela já entrou na minha mente, agora vai dar trabalho pra sair. Acho que o único jeito de tirá-la daqui é falando, preciso contar tudo sobre ela para que assim não reste mais nada na minha cabeça e eu possa viver em paz.
Não que eu já tenha vivido em paz alguma vez, mas, ultimamente, ela tem me perturbado muito! E estou prestes a enlouquecer; E eu tenho que me esvaziar dela pra poder viver de mim. Óbvio! como poderia eu, viver dela, se não a sou? Ou sou? Ou poderia viver mesmo não a sendo?
Ela é cheia dele, aquele maldito, e vive. Mas não.. nem vou pensar nisso. Pensar nele me cansa, me deixa nervosa. Mas e ela? Ela não.. só me enxe. Mas é hora de esvaziar-me:

Essa noite eu tive um sonho. Ela estava nele, e eu a salvei. Arrisquei minha vida para salvá-la. E entre mortos e feridos, todos se foram, exceto ela.

Havia uma piscina que enchia e esvaziava gradativamente, e em sequência exata de tempo. Alguns simplesmente vestiam roupa de banho e mergulhavam naquela piscina de formol, quando o nível baixava de novo haviam grandes cactos, e a pessoa que tinha acabado de mergulhar estava preso á ele, agonizando o último fio de vida, até a morte - que não demorava a chegar.
Como Zumbis, outros e outros pulavam, e nadavam, e água descia, e lá estavam eles presos aos cactos, mortos. E mais um, e mais uma, mais uma, mais um... muitos foram. Quatorze ao todo. Os cactos formavam um retângulo com linhas e colunas perfeitas, e ordem e distância exatas. De 3x5. Faltava um cacto; Em todos os outros jaziam corpos pendurados enquanto o líquido descia e subia, descia e subia...
Lá se foi ela. Pulou de biquini vermelho e blusa preta. Daquelas regatas e bem coladinhas que ela sempre usa... Mergulhou fundo como se não visse o que tinha dentro da piscina e nadou... enroscou-se, como todos os outros, no cacto; o último cacto. Era ela quem faltava para completar aquilo, seja lá o que o fosse.
Quando a água baixou eu a vi, quase morta, agonizando..
Num ímpeto de heroísmo eu pulei na piscina, mesmo sem saber nadar, eu nadei até ela. A tirei de lá. E antes que sua vida fosse dissipada por completo eu dei ar á ela. Ela Viveu. Sua existência não foi aniquilada, e depois que o susto passou ela sorriu pra mim, ainda deitada. Quando nos levantamos, sem acreditar em tudo que tinha acabado de acontecer, vimos a destruição por todos os lados.
Eu arrisquei minha vida por ela, mas a salvei. Nós sobrevivemos, só nós, de todo o resto..

Simbólico não?

Um comentário:

Clarice caldas disse...

Tomara que não seja muito tarde
tomara que eu esteja ainda agonizando
tomara que vôcê esteja por perto
eu to morrendo,se ainda tiver tempo venha me salvar
A esperança é menor que o amor e o amor é maior que a morte.
Jaca:*