16.3.09

Eu tive dois sonhos: um à noite, e um pela manhã.
O sonho da noite foi lindo. Tinha uma casa, pouca mobília, uma tv, muitos livros, discos e filmes, uma cama e muito, muito amor.
O sonho da manhã me confundiu. Muitos dizem que adorariam voltar na tempo e mudar alguma coisa que fizeram. Eu voltei. Estava no presente e me prenderam, quando saí regressei no tempo 5 anos. Mas eu era exatamente quem sou hoje. Sabia de todas minhas experiências porque já as tinha vivido. O tempo só não tinha passado ainda para os outros.
Fui ao bairro em que morava e descobri que os terrenos estavam ainda sendo loteados. Eu disse à todos o que aconteceria em suas vidas, embora ninguém acreditasse:
_ É Carlos, você vai abrir um cursinho seu. Vai ganhar muito dinheiro, antes disso, vendendo aqueles charrutos mexicanos. Você e sua mulher terão uma vida muito confortável!
_ Você, Syzara, vai se tornar uma modelo. Vai viajar pelo mundo, conhecer vários países, várias pessoas. Vai namorar uns caras lindos, modelos também. Mas vai voltar ao Brasil no fim das contas.
Tagarelei, meio confusa com a situação, jantei com todos eles - pessoas aleatórias em minha vida. Após o jantar fui chamada de canto e um dileto me disse em poesia algo como:
Se aprecio tua beleza, forma tão suave
É por meu mais puro amor
Venha, aceite minha cantiga
Quero à você me dedicar
Chega de esconder, há uma dor que está a me matar.
E me beijou, aquele beijo de baixo da árvore na rua escura. Um beijo já familiar. E eu senti como se fosse o primeiro pra mim; era para ele. E eu pude ver que ele sentia a mesma emoção que eu.
Me afastei e pra um jogo de futebol fui chamada. Já me posicionei como goleira, claro. E um Léo namorado de uma certa marca de sandálias, jogando no time adversário gritou pra mim:
_ Que trave gay!
_ É léo, eu entendi a piadinha. Mas não teve graça.
_ Não há piada. A trave é rosa!
Jogo terminado o Léo trabalhava em seu computador à sua mesa no escritório. Humildemente me aproximei e esclareci que precisávamos conversar.
_ Existe algo que vai acontecer. Quero que você saiba.
_ Eu sei o que é. E já aconteceu pra mim tanto quanto pra você. Eu também estive lá, e também regressei. Não há problemas. Está tudo bem, pode parar de chorar, passa logo. Não tenho mais raiva. Vamos, eu te dou uma carona.
E ele me trouxe pra casa. Pro meu tempo, pra minha realidade. Só então eu acordei, e ainda atordoada concluí que ainda que tivesse chance não mudaria o que fiz. Nada do que eu fiz foi em vão. Até os meus passos errados, em falso, contribuíram para tudo que sou.
Os Beijos no escuro sob a árvore , e os dentro de banheiro químico, os hetero e os homo, os amores escondidos, aqueles que eu nunca assumi, e os que algum dia aceitei, os grandes e pequenos. Os buracos que caí, as esparrelas que tropecei, as lutas que venci, as conquistas que cheguei! Eu não mudaria nada; foi preciso eu voltar no tempo pra perceber isso.
O tempo não é inimigo de ninguém, o que devemos é aproveitar as oportunidades que o destino nos dá e aprender com as experiências. A vida de nada mais nos vale se não aprender. Então, aprenda.

4 comentários:

Priscila Costa disse...

afinal, tempo, pra que te quero ? =]

não preciso dizer que adorei o texto. isso está implícito, sempre!

Victor Manfredine disse...

Aprender!
O objetivo maior.
A força da imaginação.

Belo blog. o/

Nadja disse...

It's true!


:*

Victor Manfredine disse...

diria que sim.
Apesar de ser Manfredine,
mesmo na certidão de nascimento.