24.6.14

Do avesso da carne

E se por dentro o me falta é a solidez, 
Por fora esbanjo coragem.
meu sangue escorre, vermelho tão escuro quanto o que pesa minha mente, e, leva embora a verdade disso tudo.

Reencontrei meus pesadelos, 
Mas para revê-los tive que voltar ao começo. Ao fundo do meu peito.
Tive que rasgar minha carne e encontrar minha alma, 

onde, imaginava eu, já não existia mais.

Encontrei comigo os amuletos perdidos
as canções esquecidas, os hábitos antigos e as quimeras. 
[Que há tanto já nem tinha]

E Se me rasgo, no meu fundo encontro a essência de mim mesma. 
Luto contra meus monstros, e não há outra opção, que não vencer.
E aos poucos me livro do que me empobrece, 
do que me suja, do que me persegue,
e do me leva pra longe dos meus.

[E que agora, não me perca em mim. 
Que a saída esteja disponível, 
Volto para mim, com medo da madrugada. 
E uma coragem inventada, para derrotar meus ladrões.]

8.6.14

Da ânsia

De nada me consola o sexo mal resolvido
O asco do dia seguinte só me pode soar mal.
O cheiro impregnado e indesejado.  Tão forte quanto o querer de livrar-se dele;

E se dos sonhos, o seus são os que me dão mais ânimo
Prefiro alimentar a fantasia
Esperando a verdade vir, e trazer um novo fôlego ao que me tira o ar

Ao que me deu nitidez: O foco no escuro.

15.4.14

Tenho chorado demais
tenho sofrido pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. 
Belchior

3.4.14

Do Otimismo

Algo se mexeu por dentro e mandou voltar atrás.
Foi o sentimento de fúria pelo que perdeu, que motivou esse movimento. O Quanto deixou de saber?

Lembrou-se da fome inesgotável de si mesmo, de conhecer-se. Olhar-se a fundo.
E para isso fazia o caminho inverso. Investigava o mundo, via, ouvia, conhecia, investigava, aprendia.

Sobre si uma avalanche de responsabilidades e compromissos, além do inevitável cansaço, fizeram o improvável: Tiraram-lhe de si. Esquecendo da parte boa de ter coragem de ser quem era. Uma onda conduziu até o outro lado. Onde tudo era mais tenso e cansativo.

Mas quando acordou e abriu a janela viu um sol brilhante e um dia que convidava a viver. Resolveu então do dia pra noite reconstruir-se e fazer-se otimista.

Otimistas vivem mais, vivem melhor. Pensam mais leve, acreditam em si mesmos, investem no que faz bem.

Por um lado perdeu o medo de estar só, por outro viu um dia lindo. No todo conformou-se de fazer o melhor que pudesse para fazer-se feliz. Esperar que o dia mostrasse as surpresas que teria.

Não satisfeito com aquilo que se mexeu e deslocou tudo de lugar, o dia seguinte também foi lindo.

[Mentira! O dia seguinte foi uma merda]