14.12.09

Da morte.

A perda é definitivamente uma das coisas mais estranhas que podemos lidar.
Especialmente quando ela é perto o suficiente pra desencadear uma série de pensamentos e sentimentos que nunca havíamos sentindo, mas não tão perto a ponto de perder a cabeça. Acreditar que as coisas só acontecem na hora em que devem acontecer sempre fez parte da minha filosofia, mas é difícil engolir o fato quando a tragédia envolve duas jovens de 19 e 20 anos. Parece tão cedo. Nem tão longe, nem tão perto de mim. Na distância suficiente pra sentir; É dificil até mesmo de acreditar, é tão surpreendente.
Diante da situação o sentimento principal é medo. Se aconteceu com elas, pode ser com qualquer um. Não é a morte que me assusta, é a perda, o espaço em branco, a lacuna que aos poucos vai ficando. Quantos amigos nós podemos perder, parentes, família... Quantas pessoas a gente ama e pode a qualquer momento ter a vida ceifada por um acidente ou por qualquer outra coisa?
O corpo de qualquer vida pode de repente estar coberto de margaridas brancas e amarelas sob um véu branco, dentro de um caixão com uma coroa de flores em sua cabeceira. Pode ser com qualquer um, eu, você, seu melhor amigo, teus pais, teu filho ou o amor da sua vida.
Não pense que 'comigo não acontece'. Só é preciso uma coisa pra morrer: Estar vivo. Acredite, pode acontecer com você, e um dia provavelmente acontecerá. Esteja preparado, se dispessa sempre da melhor maneira possível e não esconda seu amor. A dor de uma perda é enorme e inversamente proporcional à distância sentimental que temos da pessoa. Mas no fim das contas eu continuo sentindo medo.

10 comentários:

Sentimental ♥ disse...

eu aprendi isso da forma mais dura possível, hj não passo um dia sem demonstrar meu carinho, amor e respeito pelo próximo.

Daiana Costa disse...

A morte me põe com medo sim. Aquele de perder, de sentir dor, e principalmente, não mais viver. E que no mais, é nossa única certeza...

Glauco Guimarães disse...

Morro de medo da morte. Não a fisica, mas a emocional.

Mariana Andrade. disse...

não tenho medo da morte, acho que fui o perdendo aos poucos.

creio que ela seja justa na medida do possivel.

Ludmila disse...

A morte e a pergunta incômoda "o que há depois?". Às vezes eu acho que morrer é ridículo. É natural, claro, mas ninguém está enfim pronto para isso.

Obrigada pela visita! Gostei muito daqui ;)

disse...

Eu tenho medo também, muito.

Sylvio de Alencar. disse...

Quando a perda é próxima, o medo também existe. Mas o que supera tudo é a sensação de perda, misturada com a de transitoriedade.
Parece que a alma fica presente, é só você pensar que a sente.
Demora-se um certo tempo para se recompor.
Tem mais: depois que se perde alguém próximo (que não é o seu caso e que não seja), a gente começa a entender o berreiro que a gente vê em hospitais por exemplo. Ficamos compreensívelmente solidários, da maneira mais natural!
Desculpe-me se falei muito.
Abrçs, libriana.

Daniela Filipini disse...

Eu tenho mais medo pelos outros do que por mim! Realmente não me imagino sem algumas pessoas e tremo diante da idéia de perdê-las!

Taw disse...

não gosto da morte. Traz sensações muito desagradáveis.

Mah! disse...

"É tão estranho, os bons morrem jovens"

Mas afinal o que é morrer?
Nós temos medo da morte por que passamos a vida inteira a ignorar que ela inevitavelmente vai acabar na nossa morte.
Todos nós vamos morrer, cedo ou tarde...
Cedo ou tarde?
Afinal, quem sabe e decide se realmente foi cedo ou tarde?
A vida. E ela nunca erra.

Como diria a minha vó: "ninguém morre de véspera."